A Maria Schneider

03/02/2011

Só vi dois filmes com Maria Schneider. Mas já foi o bastante para ficar dias e dias com ela na cabeça.

Toumani Diabaté e a kora

28/01/2011

A preparação para o Senegal…
Toumani Diabaté, na verdade, é maliano. Mas toca belamente a kora — um dos principais instrumentos tradicionais senegaleses.

Autopromocional

20/01/2011

Ah, vai, é lícito comemorar a primeira “citação a uma obra de minha autoria” da qual tenho notícia, não?

A historiadora alemã Marlen Eckl — cuja tese de dotourado, na Universidade de Viena, enfocou o exílio de fala alemã no Brasil, tendo como uma de suas protagonistas Marte Brill, a mãe de Alice Brill — publicou um artigo sobre Alice na última edição da revista Tópicos, da Sociedade Brasil-Alemanha. Para quem lê alemão, está aqui.

Sobre topônimos e autocomiseração

19/01/2011

Eu gosto de topônimos. Na Cordilheira Central da Costa Rica, a nordeste do Vulcão Poás (aquele que tem um lindo lago azul claro, de águas escaldantes e sulfurosas, recobrindo uma de suas crateras), o que encontro no mapa? A Depresión del Desengaño. A minha imaginação se derrama.

Quem busca lucro e paz, o negócio agora é Goiás

18/01/2011

“Terra virgem. Terra que precisa ser possuída. Agora. Urgente. Terra que dá arroz, algodão, soja, feijão, milho e tudo mais. Terra que é veio sem fim de amianto, níquel, ouro, diamante, cristal de rocha, manganês, mica — minérios que todo mundo está de olho neles. Terra que engorda gado bom o ano inteiro. Terra pra você trabalhar toda a vida e ganhar sempre. Trabalhar, ganhar e viver no conforto. Quem busca lucro e paz, o negócio agora é Goiás. Matéria-prima farta. Mão-de-obra barata. Energia elétrica à vontade. Estradas asfaltadas. Crédito fácil e a longo prazo. (…) Incentivos de toda a ordem dos governos federal, estadual e municipal. Você que é pecuarista, industrial, agricultor e comerciante saiba: Goiás se oferece a você com muito amor e riqueza. Venha para cá, com armas e bagagem. Traga seu capital e sua técnica para ganhar bons lucros. Compre este Estado e ajude o Brasil a crescer nas mãos do presidente Médici, que também preferiu morar no Planalto.”

(Propaganda do governo do estado de Goiás em edição especial da revista Realidade sobre a Amazônia, out. 1971. Que eu encontrei na dissertação de mestrado do meu amigo Mauricio, A beiradeira e o grilador: Ocupação e conflito no Oeste do Pará, que acabo de ler.)

Se bem que eles não merecem os Simpsons

17/01/2011

Ontem eu assisti a um episódio dos Simpsons da 21ª temporada. Ao ver a neve caindo lá fora, Homer começa a saltitar e dizer algo como “Lisa, cadê o aquecimento global? Hein, hein? Quero ver você falar em aquecimento global agora”. Com ar de enfado, ela explica rapidamente sobre extremos meteorológicos, mas Homer sequer escuta.

Eu quero dedicar esse episódio à dupla Reinaldo Azevedo & Aldo Rebelo. Ao primeiro, por ter escrito um texto super sagaz denunciando os “devotos da Igreja dos Santos do Aquecimento Global dos Últimos Dias [que], desmoralizados pelo frio de trincar catedrais do Hemisfério Norte (pelo terceiro anjo [sic] consecutivo), resolveram dirigir a sua litania para as chuvas do Hemisfério Sul, efeito, asseguram, do que chamam agora de ‘desordem climática'”.

Ao segundo, por repercutir em seu site o artigo do neocon/ex-libelu — aliás, textinho rasgado de elogios aos esforços de Rebelo pelo fim do Código Florestal.

PS. Por sugestão do Bruno, o subtítulo deste texto fica sendo Aldo Rebelo, a Sarah Palin brasileira.

E são só 30%!

13/01/2011

O Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) — que estabelece a alimentação escolar na rede pública de ensino (da pré-escola à educação de jovens e adultos) como direito — integra aquele seleto (e pequeno, infelizmente) conjunto de programas implementados pelo governo Lula que eu considero bem interessantes.

Especialmente depois da aprovação da Lei nº 11.947/2009. Ela fixa como diretrizes do programa, por exemplo, “o emprego da alimentação saudável e adequada, compreendendo o uso de alimentos variados, seguros, que respeitem a cultura, as tradições e os hábitos alimentares saudáveis” e o incentivo à aquisição de “gêneros alimentícios diversificados, produzidos em âmbito local e preferencialmente pela agricultura familiar e pelos empreendedores familiares rurais, priorizando as comunidades tradicionais indígenas e de remanescentes de quilombos”. O destaque é o artigo 14:

Do total dos recursos financeiros repassados pelo FNDE, no âmbito do PNAE, no mínimo 30% (trinta por cento) deverão ser utilizados na aquisição de gêneros alimentícios diretamente da agricultura familiar e do empreendedor familiar rural ou de suas organizações, priorizando-se os assentamentos da reforma agrária, as comunidades tradicionais indígenas e comunidades quilombolas.

O percentual é pequeno, fato, mas tem impulsionado experiências interessantes — algumas das quais pude acompanhar, ainda que panoramicamente. O que me leva a escrever é ter sabido recentemente que, na ampla maioria dos municípios brasileiros, sequer esse pequeno índice tem sido cumprido. A informação, encontrei-a em um documento acerca do PNAE preparado pelo Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea) e datado de 21 de dezembro último.

Diz o texto: “De acordo com levantamento do FNDE e do Ministério do Desenvolvimento Agrário, após mais de um ano da aprovação da Lei nº 11.947/2009, 28,3% dos municípios declaram comprar da Agricultura Familiar”. Isso se dá por diversos motivos — alguns governos estaduais e prefeituras são calhordas mesmo, mas há uma infinidade de entraves que impedem o cumprimento da lei mesmo quando se quer (por exemplo, as dificuldades sofridas por pequenos produtores para obter a certificação da produção).

O documento do Consea faz ainda outros alertas, entre os quais o fato de o valor per capita destinado à alimentação escolar ser insuficiente para o cumprimento dos objetivos do programa, e de grande parte das escolas não possuirem estrutura para o preparo da alimentação, o que, segundo o documento, aumenta o risco de terceirização e oferta de alimentos inadequados.

Tudo sempre tão difícil…

Goiás Velho

07/01/2011

Continuando com a temporada de organização: fotografias de Goiás Velho tomadas em maio (em viagem com a Paula) e dezembro (com minha irmã): aqui.

Toma, um bicho psicodélico pra você.

Bicho | dez. 2010 | Por Daniela Alarcon

Umas fotos do Ceará

05/01/2011

Em maio passado, viajei a Fortim – cidade cearense à margem do rio Jaguaribe, a poucos quilômetros de seu encontro com o mar – para participar, pela primeira vez, de um encontro de pescadoras.

Lá, conheci mulheres oprimidas, de um lado, pelo avanço da aquicultura e outros males sobre a pesca artesanal. “Na nossa região, os fazendeiros colocam cerca elétrica no rio”, anotei. “Na nossa região, a gente não pode amarrar o barco na margem, porque a beira e o fundo do rio são do fazendeiro.” De outro, pelo machismo, que impede o reconhecimento de sua atuação na pesca. “A mulher vai ao INSS, declarar-se pescadora. ‘Deixa eu ver sua mão.’ O funcionário a manda embora, resmungando: ‘Pescadora de unha feita… tá certo’.”

Movida pelos relatos e discussões, escrevi um primeiro texto — valia-me do fato de estar sentada diante do rio para tentar embeber a escrita com algo do mangue, dunas e vento-ventooooooo da noite. Já em Brasília, vieram uma nota curta e um novo texto, sintetizando os principais debates travados em Fortim a respeito da implementação de políticas públicas para a pesca artesanal atentas para as questões de gênero.

Faço este “resgate” pois gostaria de convidá-los a olhar algumas fotografias que tomei durante a viagem e que só agora tive a decência de organizar. Além de participar do encontro, tive tempo de descer as vielas rumo ao rio, observar seu regime ao longo do dia, o vai-e-vem das jangadas, barcos sendo descarregados e o céu sempre mudando de cores. Também atendi ao convite de Dorinha, pescadora da vila de Fortim, que me levou a conhecer sua casa, sua família e seu cotidiano no mangue (aqui, linhas mal traçadas sobre Dorinha).

Do Fortim, deslizei para a vizinha Aracati – cidade mais entrada no Jaguaribe, que leva o mesmo nome do poético vento. Foram poucas horas aí, suficientes contudo para uma olhada no casario (tão bonito) e um pouco de bulicio na zona do mercado de peixe. Um azul de céu hipnotizante, com as nuvens sempre pinceladas pelo vento. Um ônibus depois, a praia de Canoa Quebrada; é fato que preferia ter estado aí uns quarenta anos atrás mas, indo agora, não deixei de enxergar como ela é bela, especialmente quando, finda a tarde, as falésias se doiram intensamente.

Antes de voltar a Brasília, muito caminhei e mergulhei no Pontal de Maceió e Canto da Barra, duas outras localidades de Fortim. Na ida ao Canto da Barra, vacilei e não fotografei os barcos ancorados na maré baixa; quando voltei, vinda do Pontal, encontrei-os já flutuando… Ainda assim, fiz uma ou outra foto. E dediquei um texto a este passeio, um pouco centrado nas afeições do Branco (o motorista de moto-táxi que me levou) para matizar uma discussão sobre especulação imobiliária.

As fotos (aqui), com sorte, talvez deixem ver os encantos de Fortim e Aracati.

Da esq. para a dir., fachada em Aracati, participante do encontro em Fortim, Canoa Quebrada e jangada na barra do rio Jaguaribe | maio 2010 | Por Daniela Alarcon

Para terminar, deixo-os com as palavras de ordem que aprendi junto às pescadoras:

No rio e no mar: pescador(a) na luta!
No açude e na barragem: pescando a liberdade!
Hidronegócio: resistir!
Cerca nas águas: derrubar

O aviãozinho

04/01/2011

Brasília vista do alto, maio 2010 | Por Daniela Alarcon