Archive for the ‘Hein?’ Category

Me tirem daqui

05/08/2010

[“Nós temos que dar um novo rumo pra política agrícola no Brasil”, diz Serra, no debate. Só de ouvir a modulação que ele imprime a “rumo”, me nascem brotoejas.]

Jornalista 1
Aludindo ao Plebiscito Popular pelo Limite da Terra, Plinio de Arruda Sampaio defende a limitação do tamanho da propriedade. Para Serra, isso é bobagem — “procurar sarna pra se coçar”. Réplica do Plinio: “Serra é pelo latifúndio”. “Eu sou pelo latifúndio? Plinio, não brinca, vai…”
Intervalo: a jornalista, com o propósito de sintetizar o bloco: “Plinio falou que Serra é latifundiário”.

Jornalistas 2/3
Entram jornalistas 2 e 3 para mais comentários. Aludem a outra fala de Plinio, quando este questionou o fato de Dilma e Serra só endereçarem perguntas um ao outro, excluindo-o e também à Marina.
“O candidato Plinio reclamou, mas tem razão, né, todos os candidatos têm que ter a mesma oportunidade”, diz o repórter 1. “Claro, cada um pergunta pra quem tem vontade”, diz o repórter 2. Conversa de surdos?

O debate é ruim, os jornalistas são ruins, as eleições vão chegando.

[A gente se fode tanto, mas pelo menos às vezes se anima: Dilma atribui ao governo Lula um amplo programa de Reforma Agrária. Plinio: “Quem fez o programa de Reforma Agrária do Lula… fui eu”. Tá-dá!]

Como não posso dizer tudo que quero…

23/07/2010

… a quem é de direito, espalho ao vento (vento virtual vale?).

Cansei de ouvir lixo homofóbico, minha gente, enough, vão encher os ouvidos-latrinas de outros!

Mas, enfim, não era a linha acima que eu diria; o interlocutor de hoje tava mais pra ouvir a imagem abaixo (que eu encontrei aqui):

Mal frequentado

06/07/2010

Ah, que alegria. Um sujeito (o J.C.B., vamos só com as iniciais, porque sou muito generosa e não quero ajudá-lo em seu intento de se expor publicamente) se deu ao trabalho de gastar seus preciosos dedinhos nas teclas do computador para fazer um comentário que, não bastasse ser retardado, é também homofóbico.

Olha o que ele achou por bem escrever no texto “Polícia arranca roupa de ciclista e prende 4”: “ninguem manda ciclista andar com essas roupas de boiola. virem homem”.

Seu J.C.B., uma sugestão: na próxima, tente escrever coisas que façam sentido em relação ao objeto a ser comentado… Não sei em que estado o senhor vive, mas homofobia já é crime em alguns deles, e é bom se preparar: vai que aprovam o projeto de lei federal, não?

Futebolísticas

23/06/2010

Futebol nem é minha praia mas, pô, isso tem que ser difundido: “‘O futebol é um jogo de pobre. A esquerda está impondo o ensino de futebol nas escolas americanas, porque a América está ficando bronzeada’, escreveu [Dan Gainor], associando a popularidade do futebol acima do rio Grande com a crescente migração dos mexicanos para os EUA”. Mais, aqui.

Em desencanto

29/05/2010

Chego em casa depois do trabalho. Dia melancólico; praguejando — “o jornal atrasou de novo!” –, encontro um cartão na caixa do correio: “Cultura racional: o verdadeiro conhecimento de recuperação e salvação eterna de toda a humanidade”. É, eles não ficam só no centro de São Paulo ou na vivência da ECA-USP; vêm até a minha casa. E tem site e telefone, caso eu queira saber mais sobre o universo em desencanto. Pra já ir me iniciando, sou brindada, no verso do cartão, com uma frase de autoria do sr. Racional Superior. Tão mais iluminada, esqueço dos putos do jornal que esqueceram de mim. Certo, então.

O que estão fazendo nas escolas?!

08/04/2010

Hoje eu caminhava rumo ao trabalho, cantarolando “Apaga o fogo, mané”, mui contente com o sol (ia anunciar ontem, mas esperei virar o dia pra ter certeza: ontem começou a estação da seca!, voltam o pôr-do-sol de matar e os dias ventosos!).

Eis que, à altura do anexo do Palácio do Planalto, avisto uma horda de pequenos monstros vindo em minha direção: não!, uma excursão escolar! Olho para os dois lados, “a calçada é pequena demais para nós”… Mas, eles passam, comportadinhos até, dando as mãos pras “tias”. E então eu noto que estão divididos em dois grupos. À frente vem uma “tia”, seguida pelas meninas, penteadinhas, tic-tacs no cabelo; depois, outra “tia”, e só então os meninos. Eram alunas e alunos de uma escola da rede pública! Juro, juro que quase parei pra perguntar pras professoras: desde quando é uma diretriz da rede pública separar as crianças por sexo?!

(Trombar com excursões escolares é sempre um susto; a última foi em Montevideo, onde as crianças eram envolvidas por uma corda…)

Chiquilines, Plaza de la Independencia | Montevideo, 30 dez. 2008 | Por Daniela Alarcon

Rumo a… Palmas?

22/03/2010

Então eu descubro que vou a Palmas, a trabalho. Não sabendo nada sobre (exceto o óbvio: que é cidade planejada, terra de quentura e especulação imobilária ambas igualmente escandalosas), pesquiso. O lugar tem uma ponte chamada Fernando Henrique Cardoso, uma hidrelétrica chamada Luís Eduardo Magalhães e uma praia de rio artificial com redes de proteção contra os constantes ataques de piranhas. Acho deselegante ter preconceito contra cidades, mas só consigo pensar que estão me mandando pra uma filial do inferno.

Espero, mesmo, morder a língua quando estiver na Palmas real. Eu tinha tantas expectativas em relação ao rio Tocantins!

Estudante da UnB é estuprada

18/03/2010

Aconteceu na última segunda-feira. Ela caminhava até a L2 (uma via que passa paralela à UnB), para tomar o ônibus.

Encontro algumas notas na internet e, em uma delas (aqui), a seguinte pérola: “Segundo o delegado da 2ª DP, Antônio Romeiro, o último caso de violência sexual registrado naquela área foi no ano passado. Ele recomenda que as estudantes tenham cautela ao fazer o caminho da UnB à L2. O retrato falado do suspeito será divulgado amanhã”.

Fico matutando qual seria a cautela possível ao caminhar num local ermo e escuro. Travestir-se de homem, talvez? Fica implícito que ela deveria contratar um segurança particular, comprar um carro?

Mais, aqui.

E o UOL noticia…

13/03/2010

… a singela nota desta que vos fala: aqui.

Polícia arranca roupa de ciclista e prende 4

13/03/2010

Aconteceu hoje, em SP, a terceira edição da Pedalada Pelada. Policiais truculentos, spray de pimenta, ameaças de atropelamento (viaturas x bicicletas!) e ao menos quatro manifestantes detidos.

Após a primeira detenção (por desacato), outro ciclista se aproximou para tentar negociar com os policiais. Ameaçaram prendê-lo. Não havia quaisquer motivos para a prisão, rebateu. Dito isso, foi despido à força, pela própria polícia (teve a bermuda arrancada), agredido, algemado e metido no camburão. Ambos, e mais duas ciclistas (entre as quais, Talita, minha cunhada), estão até agora na 4ª DP. Contra as duas últimas pesa a acusação de “ato obsceno”.

“O desfecho da manifestação vem justamente confirmar a mensagem que a gente queria passar: de que o ciclista está exposto a um trânsito e a políticas públicas de mobilidade obscenas. A violência contra o ciclista é diária”, diz Talita.