Archive for the ‘Artes_plásticas’ Category

Estrada

09/07/2010

Uia que foto bonita, essa da estrada de Corumbá a Brasília nos anos 80. Toda a série sobre o Brasil, aliás.

(Caí no site da fotógrafa a partir do site do Laerte — que fez uma tira ótima esses dias sobre o texto (sic) do senhor que começa com “Pergunto-me por que não proíbem professores de pregar o marxismo e toda a bobagem de luta de classes” e envereda por “Não, não quero mudar o mundo, nem mudar o homem, muito menos a mulher, a mulher, então, está perfeita como é, se mudar, atrapalha, gosto dela assim, carente, instável, infernal, de batom vermelho e de saia justa”.)

Vamo lá: três, dois, um… a semana de trabalho tá quase no fim.

Encontrando as artistas

03/05/2010

Semana passada teve passeio por Anita Malfatti, em Brasília, e hoje foi dia de Maureen Bisiliat em São Paulo. Recomendação para a exposição da Maureen: ir com tempo; há um vídeo de 60′ sobre o Xingu que me pareceu bacaníssimo (só pude ver 15′). No mais, as fotografias demandam olhar… são coisa de fruir sem pressa.

Quanto à Anita, ainda aportará em São Paulo. Se a disposição das obras for semelhante à de Brasília, proponho um percurso protegido contra a tristeza. Começar pelo que lá foi o andar térreo (as obras vigorosas), passar para o subsolo (os retratos encomendados de feias moças bonitas da sociedade e flores deprimentes), para então rever todo o andar térreo — é este último que deve colar na retina.

Alice Brill: exposição de batiks em SP

10/03/2010

Talvez uma ampla parcela dos que leem este troço já tenha me ouvido falar e falar sobre Alice Brill. Pois bem, começa hoje em SP uma exposição de batiks de Alice, com curadoria de sua filha, minha amiga Silvia. Apesar de suspeita para falar, penso que vale muito a pena!

Abaixo, reproduzo o convite, com as informações sobre a mostra e, em seguida, para aqueles de paciência mais larga, um trecho do meu trabalho sobre Alice, em que proponho aproximações entre batik e fotografia.

Trecho de Diário íntimo: A fotografia de Alice Brill, meu trabalho de conclusão de curso em Jornalismo, pela ECA/USP, finalizado em 2008:

O texto em que Alice mais desenvolve reflexões sobre fotografia é, talvez, sua tese de doutorado, Viagens imaginárias: transformação de uma técnica milenar em linguagem contemporânea, escrita em 1994, quando já deixara de fotografar havia cerca de trinta anos (1). O batik, tema do trabalho, pode ser pensado como uma imagem-síntese do diálogo entre artes plásticas e fotografia em sua obra.

Trata-se de uma técnica artesanal indonésia de tintura de tecidos. Utilizando um pequeno instrumento chamado tjanting, aplica-se cera de abelha líquida sobre a superfície de um tecido, de maneira a formar desenhos ou padrões; o tecido pode ainda, após o endurecimento da cera, ser amassado para produzir finas nervuras que resultarão em um craquelê. Ele é então mergulhado em um recipiente com tinta – procedimento que pode ser repetido inúmeras vezes, para a obtenção de diferentes tonalidades. Após a secagem, a cera é derretida para que se despregue do tecido já tingido. Os padrões dos desenhos e o ritual envolvido no preparo do tecido variam de acordo com a região e o período em que é produzido, e expressam simbolismos diversos (2). (more…)

À Niobe Xandó

23/02/2010

Morreu Niobe Xandó. Acabo de saber, com quatro dias de atraso, pela Folha, em uma nota de injustificáveis SETE linhas. Prioridades são prioridades. Pesco num caderninho o que escrevi depois de ver uma retrospectiva da Niobe na Pinacoteca.

“21 de maio de 2007

Pela manhã, Pinacoteca e café. Foram retratos de Versalhes, Niobe Xandó e fotografias do Peru.
(…)
Niobe Xandó é brilhante (penso em brilhante de luz, não no sentido por derivação). Dentre os quadros figurativos há auto-retratos com lindos traços verdes e números deliciosamente egóticos (Auto-retrato XXXVI). Santos deveras pagãos. Há flores que tomaram ayhuasca. E há as máscaras africanas, como ato de mediação: em parte, o lastro da referência no real; em parte, a autonomia dada no enxugamento dos traços. E há uns flertes com naïf e art brut – que um bom comentário na parede junto à porta fixa como comparações possíveis ainda que não aplicáveis dogmaticamente à sua trajetória.”

Nunca burilei essa anotação, mas me parece que ela ainda guarda o impacto do que vi.

Engenhocas

22/02/2010

Ontem, fui ao show do Uakti e fiquei encantada.

Os caras vêm contruindo engenhocas (vulgo instrumentos acústicos) ao longo dos últimos 30 anos. A música, ótima, sai da água, de uma espécie de caixa de música com os bofes pra fora, de tubos de PVC, flauta transversal, todo tipo de coisas batucáveis e um grande etcetera.

(Mesmo se a música fosse ruim, os instrumentos são tão bonitos de olhar…)

A segunda música… a primeira teve um pedaço de Elomar (esta canção eu não reconheceria sozinha, por sorte estava com um amigo baiano a tiracolo); e aí veio a segunda, uma ambiência de filme de caubói, tocada à manivela, um troço qualquer coisa de incrível.

Não bastasse, brinde dos grandes: subi as escadas para me deparar com a última meia hora, último dia, da exposição do Goeldi em Brasília.

***

Brasília tem sido gentil no que concerne a shows. Desde que vim pra cá, não fui a muitos, mas todos foram dignos de nota.

Em novembro, durante o V Festival Brasília de Cultura Popular, realizado pela Funarte, assisti (e dancei de suar) ao Samba de Coco Raízes de Arcoverde, Maciel Salu, Carimbó Quentes da Madrugada e Ilê. Em setembro ou outubro teve um Milton Nascimento meio apático na Esplanada, compensado pela noite quente e o cenário alienígena do Museu Nacional. Mês passado, showzinho simpático (de uma banda cujo nome me escapa completamente) à beira do rio das Almas, em Pirenópolis, pela aprovação da PEC do Cerrado.

Vamo que vamo.