Archive for fevereiro \28\UTC 2011

Não foi acidente

28/02/2011

Tentativa de homicídio foi o que aconteceu em Porto Alegre. (Não sei a autoria da imagem.)

Aqui, um dos vídeos mostrando o atropelamento.

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Senegal: Ouakam em dois relances

13/02/2011

Assim como os vizinhos Ngor e Yoff, Ouakam é um antigo vilarejo lébou (uma das etnias senegalesas), hoje integrado a Dacar como um subúrbio residencial. Uma vez hospedada em Ngor, passava por ali várias vezes ao dia. Dada a incursão superficial, para falar de Ouakam sem ser leviana devo me ater a seus dois marcos mais, digamos, monumentais (custa encontrar um adjetivo para unir duas construções tão díspares, como se verá).

O primeiro – cronologicamente de fato, já que no instante em que se salta do avião não é mais possível evitá-lo – é o Monumento ao Renascimento Africano. O colossal amontoado de bronze exibe seu estilo duvidoso do alto de uma colina: um casal e uma criança, mirando o Atlântico. Inaugurado em abril do ano passado, foi desenhado pelo presidente Wade – que, em reconhecimento a seu engenho e arte, quer 35% dos lucros de visitação da estátua. Que visitação, não se sabe. Li em qualquer parte que a salinha na cabeça da figura masculina, único local onde há uma janela, comporta 15 pessoas; o elevador carrega de cinco a seis; e equipar a estátua com ar condicionado, para tornar seu interior suportável, não custaria pouco, definitivamente.

A obra, que arrebatou 27 milhões de dólares aos senegaleses, atraiu críticas dos muçulmanos (que tal erigir enormes representações humanas seminuas em um país majoritariamente islâmico?), dos cristãos (depois de Wade ter feito uma fala infeliz comparando-a a representações de Cristo), dos artistas senegaleses (e eu arriscaria dizer que não só deles, mas também de todos com um mínimo senso estético), da oposição a um egótico Wade… enfim, de muitos, incluindo aqueles que saíram às ruas no dia de sua inauguração, para contrapor a megalomania à carestia que enfrentam diariamente. A estátua não é a mais alta do mundo, como queria Wade, mas o presidente segue acalentando o desejo de que ela se torne uma das maravilhas universais e atraia turistas para o Senegal. Mais sobre Wade, falemos em outra parte. Ainda em Ouakam, passamos à Mesquita da Misericórdia.

Eu olho para as mesquitas com o fascínio da novidade conhecida (já esmiuçada à distância, enquanto se esperava – e se construía – o encontro). Se dez vezes passo pela costaneira elevada, em que à altura do mar desponta a mesquita de Ouakam, dez vezes colo as mãos e a testa na janela do carro (mesmo quando não literalmente) e arreganho os olhos. É um olhar que traga os minaretes, já que não quer extensão de detalhes, mas um ver intenso. Como consequência colateral, decoro seu verde plúmbeo e o vermelho, bem como o terraço de onde brotam as torres, torres contra o mar, contra o céu, contra a falésia (há que abrir mais os olhos: são três telas e ela se foi). Descubro que oculta ladrilhos; adivinho a vista de suas janelinhas para o mar borrado. Mesquita feita animação antiga, imagem se formando pela soma dos nacos que aparecem e somem entre as barras do guard rail. Sinto-me mais próxima da mesquita – em minha imaginação de quem desce a escadaria larga entre o asfalto e a beira-mar – que os turistas que desceram, pés amarrados ao carro, fotografaram-na (supostamente imaculada, excluídas minhas gradinhas borradas) e, sem sentirem ganas de tocá-la, seguiram satisfeitos para encherem (e enchem?) os olhos na próxima esquina.

Ainda volto ao Senegal, para adentrar as mesquitas e (tentar) entender as diferenças entre as várias irmandades muçulmanas. Mas também para ouvir o acento especial do wolof falado pelos lébous, para lhes perguntar se vieram mesmo, séculos atrás, da planície do Nilo, e entrever as reminiscências de suas crenças ancestrais, vivas sob a conversão ao Islã. Em resumo: para conhecer Ouakam, assim como Ngor e Yoff.

El machismo es violencia

13/02/2011

Campanha contra o machismo produzida pelo governo equatoriano. Eu não acho os vídeos assim tão criativos, mas fico bem feliz que o Estado tenha a iniciativa de veicular uma campanha que não se centra apenas na denúncia da violência mais facilmente detectável, mas vai além, questionando os estereótipos de gênero.

Mais uma liderança Tupinambá é presa

04/02/2011

Sem tempo para escrever, reproduzo a nota do Cimi Itabuna.
Mais uma prisão. Até quando?

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Prisão de mais uma liderança Tupinambá de Olivença
Por Cimi Equipe Itabuna

A cacique Tupinambá Maria Valdelice de Jesus (Jamapoty), da Aldeia Itapoãn, localizada no município de Ilhéus, foi presa na tarde de ontem (3) por agentes da Polícia Federal (PF) de Ilhéus. Segundo informações obtidas, o mandado foi expedido pelo juiz Federal Pedro Hollyday.

Valdelice esta sendo acusada de ser líder de quadrilha, de comandar uma série de invasões as propriedades rurais desde que foi desencadeada a luta pela recuperação das terras tradicionais Tupinambá.

Segundo o delegado da PF, Fábio Muniz, a cacique prestou depoimento na tarde de ontem e foi transferida para a ala feminina do Presídio de Itabuna.

A comunidade está bastante apreensiva, pois teme que aconteça o mesmo processo que se deu com o cacique Babau, de transferências sucessivas para evitar manifestações da comunidade. Os parentes também estão preocupados com a questão de saúde da cacique, já que a mesma é hipertensa e não teve condições de levar seus remédios. A comunidade esta se mobilizando para manifestarem a sua insatisfação diante da prisão da cacique.

A Procuradoria da Fundação Nacional do Índio (Funai) em Brasília, em contato com o a Procuradoria Federal em Ilhéus, já agilizou um pedido de Habes Corpus para a Cacique.

A comunidade da Serra do Padeiro, através de seu cacique Babau, já manifestou solidariedade e se colocou a disposição da comunidade de Olivença. As entidades de apoio à luta dos povos indígenas se mostram preocupadas com as constantes prisões das lideranças que estão à frente da luta e também manifestam seu apoio e solidariedade a cacique Valdelice e a comunidade Tupinambá de Olivença.

A Maria Schneider

03/02/2011

Só vi dois filmes com Maria Schneider. Mas já foi o bastante para ficar dias e dias com ela na cabeça.