Archive for julho \31\UTC 2010

E então… Pernambuco!

31/07/2010

Desde que me sei gente, Pernambuco exerce um fascínio descabido sobre mim. O meu estado-fetiche.

Pois bem, aqui estou, há cerca de 30 horas. Pela primeira vez. Agora, mais precisamente no aeroporto, prestes a voltar para Brasília. Se, de um lado, ouvi horas de histórias das pescadoras de Itapissuma e Brasília Teimosa, quase nada vi do Recife e de Camaragibe (nossas atividades ocorreram nesta última).

Mas eu sou de um exagero tremendo.
Me senti abraçando João Cabral quando cruzei um bracinho do Capibaribe, infame de tão pequeno.

Eu quero mais, mais, mais de Pernambuco.

Mas é bonito entrar num estado assim, não? Começar pelas gentes. Depois, já ter nomes e sorrisos pra preencher as paisagens. Eu volto, pescadoras valentes, eu volto. Meninos do sotaque que me derrete, eu volto.

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Do siridó ao carimbó

27/07/2010

“Juntaram-se
Os dois na esquina
A tocar a sanfoninha
E a dançar o siridó.”

Esta semana eu passo com a Natércia dos pezinhos miúdos e mais 89 mulheres rurais de diversos pontos do país, debatendo políticas públicas. A música aí de cima é presença constante no repertório de Natércia — mas hoje, devido à miscelânea de estados que fizemos, ela começou o dia dançando carimbó.

Vagina dentata

25/07/2010

“Como não temer um ser que nunca é tão perigoso como quando sorri? A caverna sexual tornou-se a fossa viscosa do inferno.” História do medo no Ocidente, Jean Delumeau (mais precisamente o capítulo “Os agentes de Satã: A mulher”) — nada como leitura amena prum domingo parcialmente nublado.

Mas o bacana é que de repente passei a me considerar muito esperta por ter chegado sozinha, aos 16, a várias das constatações presentes no livro. O que seu Delumeau faz com uma penca de fontes documentais, ha!, eu fiz com um namoro adolescente. A prática, a prática.

(Mas, ok, reconheço os méritos da leitura. Ou alguém aqui sabia que se levantaram mais de 300 (!) versões do mito da vagina dentata entre os indígenas norte-americanos? E que na Índia há uma variação: serpentes em lugar dos dentes?)

Como não posso dizer tudo que quero…

23/07/2010

… a quem é de direito, espalho ao vento (vento virtual vale?).

Cansei de ouvir lixo homofóbico, minha gente, enough, vão encher os ouvidos-latrinas de outros!

Mas, enfim, não era a linha acima que eu diria; o interlocutor de hoje tava mais pra ouvir a imagem abaixo (que eu encontrei aqui):

Fugitivas

10/07/2010

Ha! Acordei mais cedo que o habitual e as encontrei antes da debandada, quando deixam só azul e nada mais.

Estrada

09/07/2010

Uia que foto bonita, essa da estrada de Corumbá a Brasília nos anos 80. Toda a série sobre o Brasil, aliás.

(Caí no site da fotógrafa a partir do site do Laerte — que fez uma tira ótima esses dias sobre o texto (sic) do senhor que começa com “Pergunto-me por que não proíbem professores de pregar o marxismo e toda a bobagem de luta de classes” e envereda por “Não, não quero mudar o mundo, nem mudar o homem, muito menos a mulher, a mulher, então, está perfeita como é, se mudar, atrapalha, gosto dela assim, carente, instável, infernal, de batom vermelho e de saia justa”.)

Vamo lá: três, dois, um… a semana de trabalho tá quase no fim.

Mal frequentado

06/07/2010

Ah, que alegria. Um sujeito (o J.C.B., vamos só com as iniciais, porque sou muito generosa e não quero ajudá-lo em seu intento de se expor publicamente) se deu ao trabalho de gastar seus preciosos dedinhos nas teclas do computador para fazer um comentário que, não bastasse ser retardado, é também homofóbico.

Olha o que ele achou por bem escrever no texto “Polícia arranca roupa de ciclista e prende 4”: “ninguem manda ciclista andar com essas roupas de boiola. virem homem”.

Seu J.C.B., uma sugestão: na próxima, tente escrever coisas que façam sentido em relação ao objeto a ser comentado… Não sei em que estado o senhor vive, mas homofobia já é crime em alguns deles, e é bom se preparar: vai que aprovam o projeto de lei federal, não?

Fogo!

05/07/2010

Quando falavam que esta é época de incêndios em Brasília, eu não pensava que isso incluía carros — como o do meu vizinho, que acaba de derreter diante do prédio!
Agora meu apartamento cheira a coisas tóxicas e os olhos tão ardendo.
Brasília do inferno!
Ô, seu bombeiro, deixa eu dar um passeio num dos TRÊS carros que tão estacionados embaixo da minha janela, pra espantar o tédio?
(Ah, que bacana, tem FULIGEM na minha horta.)
Que me desculpem os brasilienses, mas tá difícil encarar esta cidade depois de um fim de semana ébrio e inebriante em São Paulo.
E, aproveitando o ensejo e a pegada aleatória da coisa toda: adiante, Uruguai, adiante, paisito!

PS. Só pra não deixar a coincidência passar despercebida: hoje pela manhã fui trabalhar lendo as várias (e, convenhamos, tediosas) páginas que o Górki dedica a incêndios n’O Vagabundo Original.