Archive for outubro \31\UTC 2009

Último dia em Fortaleza

31/10/2009

Bisbilhoteiro, na Ponta do Mucuripe, 31 out. 2009.

Como disse antes, mais registros de Fortaleza, e também de Arapiraca (incluindo gatos, digamos, mais garbosos que este, mas decididamente menos serelepes), aqui.

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Em Fortaleza, náufraga

30/10/2009

Fortaleza tem a noite. Estamos na Ponta do Mucuripe: menina de doze anos, nada de seios, grávida, passa sem expressão arrastando a chinela de mesa em mesa a vender balas. As pessoas com quem estou, estupefatas, só conseguem esboçar uma quase-reação. Aí o Belchior me salva (a posteriori):

As velas do Mucuripe
Vão sair para pescar
Vão levar as minhas mágoas
Pras águas fundas do mar

Isso é o primeiro dia.

No segundo acabamos nesse domínio de turistas, a feira do Meireles. Enquanto eles (eu? nós? eles?) se regozijam nas compras, há no chão do passeio um aleijado (palavra que uso de propósito), com uma sanfona, num espetáculo terrível. Não pede: faz ruídos guturais (uma música) e se agita, no máximo de coordenação que encontra. Como se não o vissem. (E eu que o vejo, o que faço?) Perto dali, os meninos e meninas bem drogaditos, enrolados naquelas mantas (que me lembram as crianças que havia — há? — no Largo São Francisco, com a cola no nariz), o cabelo armado, armado de viver na rua. Aí não tenho salvamento.

Lambuzando-me de caju

30/10/2009

Como Dona Joana alcança os cajus mais altos. Aracoiaba, 30 out. 2009.

Porque praia me deixa tonta de alegria

28/10/2009

Praia do Meireles, Fortaleza, 28 out. 2009.

Mais registros de Fortaleza, com minha camerita mequetrefe, aqui.

Mazé. Maria José.

27/10/2009

— Vai levar um biscoito?
— Hoje não, obrigada.

Insiste um pouco. Depois, circula pelas mesas, não vende nenhum, rodeia a nossa outra vez, quando se dá conta de que eu vinha acompanhando seus movimentos com os olhos. É miúda, guarda os sequilhos e outras obras de suas mãos em uma sacola de vime.

— Mas, escuta, como a senhora chama?
— Mazé. Maria José.

Perguntamos a ela por que são os biscoitos de amarelo tão intenso. Três gotas de urucum na massa, descobrimos. Cada biscoito – há de uns quantos tipos, mas me encantam precisamente as rodinhas de amarelo vivo, furo perfeito no meio – sai por apenas 25 centavos.

“É o vício do trabalho, pra não morrer ligeiro.” Mazé completará 75 anos em março próximo. “Quando o meu marido morreu, deixou o forno e o saber.” Conta-nos que aprendeu o ofício com ele. Compramos alguns, mas não parece ser esse o cerne – deixa-se ficar na conversa.

— Eduquei meus filhos com essas bolsas de polvilho.
— E hoje os filhos não ajudam, dona Mazé? – pergunta minha companheira de mesa.
— Filho não ajuda. É só quando é pequeno que só quer saber de ficar na barra da saia.

Natural de Camocim, percorre esta Fortaleza áspera com a bolsa de vime a tiracolo.

Das coisas que me fazem gostar de Brasília

19/10/2009

Atrás do panteão, há um bosque em desnível. Caminha-se à altura das copas.  Na borda da calçada, antes de ela cair rumo ao fosso-bosque, é certo encontrar  calangos. Se não estiver chovendo, se não estiver excessivamente nublado, garantia de calangos. Avanço palmo a palmo na habilidade de não os espantar ao passar — tenho todos os dias da semana para treinar.