O bode da despedida

O início do semestre letivo (já com olheiras e dores no corpo todo) explica o porquê de eu deixar este espaço às moscas até, com sorte, julho próximo.

Para oferecer uma boa despedida, publico a tradução inédita de uma canção tcheca, “O bode” (Kozel), de Jaromir Nohavica. A tradução é de Petra Mocová, professora de tcheco da minha irmã, com revisão minha e dessa minha irmã semitcheca.

Petra e seu namorado traduziram um conjunto de canções de Nohavica — que, segundo ela, é uma espécie de Chico Buarque da Europa Central — e eu me encantei particularmente com essa. Agora, depois de a tradução receber o aval do compositor, posso dividi-la. E… ¡hasta la vista!

Era uma vez um homem
que tinha um bode.
Os dois se davam
muito bem,
o homem gostava muito dele –
realmente muito –
e afagava-lhe a barbicha
para lhe dar boa noite.

Um dia
o bode, por engano,
comeu-lhe a camiseta vermelha,
e o homem, quando reparou,
gritou “ora, ora”,
amarrou o bode
e o colocou
nos trilhos do trem.

O trem apitou,
o bode se asustou,
“isto é a minha morte”,
berrou “mé-mé”,
e tanto berrava
que depois tossiu
a camiseta vermelha
e, com isso, o trem parou.

2 Respostas para “O bode da despedida”

  1. Isabela Disse:

    Dando uma geral agora nos meus bookmarks, passando a limpo pro meu Reader, achei seu blog, que devo ter salvo alguma vez. Que pena que vai parar por um tempo. Mas sou assinar os feeds mesmo assim, que julho tá aí!
    Boa sorte!
    Bj

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